Do meu lado de fora da casinha


Falei e disse?

Belo dia, chego em casa completamente fora da casinha, abro email, altas horas da madrugada, eis que me deparo com email do amigo Fipo (também conhecido como Felipe K), email no qual, ele abria seu coração sobre suas questões afetivas.
Dias antes, ele, Fipo, havia me dado uma espécie de bronca, alegando que, na qualidade de sua amiga, não deveria ter pudores ao emitir opiniões sobre sua vida, uma vez que nossa amizade me autorizava a dizer tudo, tudo mesmo o que penso a seu respeito e suas questões, sempre, de forma direta.
Bem...lembrando disso, mas absurdamente fora da casinha (naqueles dias de Heleninha Roitman), posicionei-me ao teclado, pensando sobre a situação e desandei a escrever, escrever, escrever.
No dia seguinte, amanheci, meio que lembrando do ocorrido, meio que não lembrando direito. Liguei aflita para o amigo Fipo e de antemão me desculpei: "Olha Fipo, não sei direito o que escrevi, mas devo ter escrito muito, muito, pois acho que fiquei um tempão no teclado. Desculpe-me se tiver me excedido, mas seja como for, você mesmo me disse que poderia falar o que quisesse".
Ele em sua calma habitual, me tranquilizou: "Juli, tudo bem. Vamos fazer o seguinte, eu vou ler e te encaminho, daí você fica sabendo o que você escreveu".
Fiquei eu, ansiosa, esperando e morrendo de medo do conteúdo.
Eis que chega o email que mandei pra ele, reenviado.
Lá estava todo o meu texto escrito no momento mais fora da casinha dos últimos tempos.
Reproduzo aqui na íntegra o email, que dizia tudo isso:


"Enfim, me desculpa por ter dito tudo isso, tá?
Beijo
Juli"



Escrito por Juli às 20h10
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Leve o moço de volta para a casinha

 

http://www.wagenschenke.ch/



Escrito por Vicki às 15h18
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300 e mais uma caralhada de toques, sei lá quantos,porra...

(escrito por volta das três da manhã, no domingo de páscoa, completamente fora da casinha)

No cú da madrugada, bem ali, na Lapa, não poderia esperar encontro mais inusitado. Miguel gritou: “- Zé seu grande-filha-da-puta-do-caralho!!! Eu o abracei, enquanto ele, bêbado feito um gambá, destilava sua filosofia sem se importar com as minhas palavras.”- sabe qual o nosso azar, Zé? Nascemos na geração mais medíocre do século XX...20 anos anos antes, ou 20 anos depois, tudo seria diferente...” Simplesmente o ouvi sem contestá-lo, pois seria inútil. Continuou: “- O Arnaldo Jabor escreveu uma merda que presta, acredita? Uma única merda que presta...”. Qual? , perguntei. E Miguel respondeu: “-Naquela bosta de filme, Eu sei que vou te amar, tem um diálogo que diz que o amor não existe, é pura invenção do cinema norteamericano.” E saiu no meio da Mem de Sá gritando isso: “-O amor não existe, é invenção do cinema americano!”, repetidas vezes,se desviando do meio dos carros. Pulei em cima dele, empurrando-o em direção a calçada. E ele ria descontroladamente. Coloquei-o num táxi, antes que morresse atropelado. Quando o deixei na porta de casa, ele se virou pra mim e falou: “-Zé, amigão, não adianta a gente querer se enganar, nosso tempo já passou, nos fudemos...Se formos espertos, o negócio é sexo,drogas e rock and roll. E nada mais, até virarem a tampa do caixão na nossa cara....” Ainda arrematou: “- Boa Páscoa”, gargalhando sarcasticamente.
Fui pra casa dormir, incomodado, achando que meu velho amigo estava prenhe de razão.

Escrito por Zé às 03h05
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